5 de outubro de 2015

Memórias de Lacey Mor



" Os céu está cinza. É uma cor que me agrada, não me considero uma pessoa de cores quentes. Sento, perto da janela do meu quarto, a xícara de café me esquenta nos dias frios. A corrente de ar que entra pela janela, bate nas minhas bochechas e congela meu rosto. Estou com aquele velho casaco de lã, que minha mãe me deu no natal de 99. Ele está quase todo deslinhado, mas eu gosto dele desse jeito mesmo. Pupi, vem me fazer companhia. Até ele fica emocionado, com o tempo perfeito que está lá fora. Ele é um bom gato. 
O meu café me transporta, para um lugar que eu não estava esperando. Um filme do passado passa rápido pela minha mente. Gritos. Brigas. Um cheiro de fritura velha no ar. Não foi minha culpa, eu não tenho culpa. Lembro que subi as escadas correndo, e que desabei no meio da cama mal feita. De lá de cima, eu ainda ouvia as acusações. Um jogava a culpa no outro, tinha minutos que parecia uma eternidade. Minha mãe, que sempre tinha fôlego para discutir. Está chorando, e meu pai não para de culpa-la. Por que tem que ser sempre culpa de alguém. Naquela noite minha mãe, fraca do jeito que é. Arrumou todas as coisas, até os bibelôs que eu dei para ela no dia das mães ela levou. Me deixou um bilhete do lado no meu noteebook: " Não aguento mais. Eu não consigo mais. O que eu tinha que fazer eu já fiz. Estou indo embora, adeus. Eu te amo." Eu te amo? Ela nem se quer me acordou, simplesmente foi embora. Eu sempre achei fácil demais falar ' eu te amo'. O difícil era provar. Desde que ela se foi, meu pai começou a beber mais. Trazia mulheres para dentro de casa. Eu conseguia ouvir, os gemidos. Ele me dava nojo. Como ele podia trazer uma mulher para dentro de casa? Mas era como ele dizia: " Um homem não pode ficar sozinho."Foram anos difíceis. Depois de 5 anos sobrevivendo, meu pai teve um fim trágico. Ele não sofreu pela minha mãe ter ido embora. Ele se se sentia orgulhoso, mesmo querendo que ela voltasse. Ele achava que transando com outras mulheres, poderia esquecer ela. Mas isso não aconteceu. Em um dia de domingo, eu acabava de chegar em casa das minhas caminhadas. Notei que a porta estava aberta. Meu coração apertou, e eu senti uma pontada no estômago. ( Poderia ser a fome, já que eu estava no meu 4° dia de Nf) Respirei fundo e abri a porta. Meu mundo desmoronou naquele dia. Meu pai estava sentado em sua poltrona. Tinha várias gafarras de Whisky barato, alguns cigarros não terminados. E uma arma no chão. Tanto sangue. Porquê? 
Passei anos  me culpando. Passei anos me destruindo. Eles não me entendiam, eles não faziam um mínimo esforço para me entender. Minha mãe desistiu, e meu pai desistiu. Orgulho é algo que fere, o coração do homem. Depois de todo aquele martírio, de enterro e velório. Minha mãe voltou para casa. A nossa relação de mãe e filha, que já não era muito boa. Ficou pior. Era como se eu morasse com uma estranha. Mal nos falavamos, era sempre muito pouco. Geralmente, ela fazia as mesmas perguntas: ' Você está indo para o psiquiatra?', ' Você anda se alimentando?'. Não importava o que eu dizia, podia ser sim, ou não. Ela não me ouvia, e eu não fazia esforço para falar.

Anos depois. Eu acabei sendo internada pesando quase 39 kg. Minha mãe ia me visitar, e dizia que eu tinha que mudar, e que eu poderia morrer. Nós choramos algumas vezes, e eles me me encheram com comida. Ganhei 8 kg á mais, e estava louca para sair daquele lugar. Mas assim que cheguei em casa, já comecei a planejar minha perda de peso. Ela viu que meu rosto afinava, e não dizia nada. Só me observava. Quase nos 39 kg. Volto da faculdade, e tem um bilhete em cima do balcão. Eu já sabia. 
Não fiz nem questão de ler. Subi para meu quarto, e passei pelo dela. Havia vários cabides pela cama, e não tinha mais o bibelôs. Ela foi embora...

Tomei 5 comprimidos, e dormi por horas. O telefone tocou, tinha várias mensagens no meu celular. Eu não queria ler, e nem muito menos atender o telefone. Tomei mais 5 e voltei a dormir. Virei dias dormindo, eu apenas levantava ia no banheiro e dormia de novo. Mas em um desses intervalos, eu me lembrei do meu pai. Lembrei que ela fez o mesmo anos atrás.

Depois de 3 dias fugindo da realidade. Fui até a farmácia, e furtei os remédios para dormir. Fiz uma pequena limpeza na casa, afinal eu não queria que encontrassem toda aquela bagunça. Tomei uma banho longo, e tentei me limpar o máximo que pude. Contei quantos comprimidos eu tinha, uns 58 na minhas contas, tomei todos de uma só vez. E escrevi uma pequena carta...

" Mãe. Você foi uma boa, esposa e uma boa mulher. Mas como mãe, não. 
O meu pai era um cafageste mas ao contrário de você, ele não me abandonou. 
O suicídio dele foi porque ele não aguentou a dor de perder você. 
Mas ele era orgulhoso, e o orgulho o matou. 
Você sabe que é difícil para eu me alimentar, e eu preciso ser magra. 
Eu cheguei aos 38 kg, e estou adorando isso. 
Mas mesmo em um peso lindo, não consigo ser abandonada novamente. 
Eu limpei casa, foi difícil mas limpei. 
Estou cansada de ter sido abandonada por você tantas e tantas vezes.
Foram duas você acha? 
Não. 
Todos esses anos você simplesmente, me aguentou. 
Eu sei que você traia o meu pai.
Não achou que ia perceber aqueles e-mails não é? 
Meu pai era cafageste, mas foi cafageste depois que você foi embora. 
Mas eu ainda acho que você foi uma boa esposa. 
Seja feliz. 
Meu pai já se foi, e eu estou indo encontra-lo.
Vamos contar várias histórias.
Será que no paraiso poderei pesar 38 kg? 
Espero que sim.
Me desculpe por ter sido uma péssima filha. 
Eu gostaria de ter tido uma outra chance. 
Mas não tenho mais tempo, os comprimidos faram efeito em pouco tempo.
Adeus. 
Com amor, sua única filha Lacey Mor."

...... 

Vocês devem está se perguntando mas então quem está contando está história? Sou mesma a Lacey. Minha mãe chegou a tempo, e me levou para o hospital. Quando acordei depois de 10 dias, ela me abraçou e disse que me amava. E que não ia aguentar a segunda perda. Neste dia em diante, estamos mais próximas. Ela me faz coockies, e eu faço chá de gengibre. Prometi á ela que eu ficaria nos 45 kg, e ela me prometeu não me abandonar. Eu descumpri a promessa. Mas ela não. Eu fiquei feliz por isso. Compramos um gato, e nome dele é Pupi. ( Eu já te disse isso?) Era o apelido do meu Pai. Ela me contou que não traia me pai, ou melhor que não chegou a trair. Ela realmente havia se apaixonado por outro homem. Mas não chegou de fato a ir ve-lo. Ela queria salvar o casamento dela. Eu pedi perdão pelas acusações. Fizemos terapia juntas, e hoje ela não é mais uma estranha, ela é minha mãe. Ela me disse que nunca mais vai se casar, pois ela também queria ter reatado com meu pai. Mas no dia que ela se decidiu, foi tarde demais. Eu não percebi, mas ela sofreu muito. Aquele silêncio, foi o luto contido que ela sofreu. Ela não queria que notasse que ela chorava a noite toda. Ela me abandonou da primeira vez, porque não aguentava ver o que eu fazia comigo mesma. E da segunda vez ela fez pelo mesmo motivo. Eu entendi ela. Não deve ser fácil ser mãe de uma anorexica. Hoje vivemos em um chalé perto das montanhas. Nós saimos daquela casa, porque ela estava manchada de sangue, e de brigas. Queriamos uma vida nova, e cá estamos vivendo. Vou ao grupo de apoio uma vez por semana. Tomo os meus remédios no horário certo. Ás vezes eu me pego emagrecendo, mas logo lembro de tudo o que houve, por causa dos 39 kg. Eu ainda amo os meus ossos, e com 45 é difícil ver eles. Mas eu amo a minha mãe, e se ela está feliz. Para mim isso basta.... 

Fim.


Recado da Lua: Obrigada, pela paciência de ler o post inteiro. Peço, desculpas pelos erros ortográficos, e outras coisinhas mais. Eu apenas acordei com essa história na minha cabeça e resolvi escrever. Os personagens são Ficticios, e eu não conheço a Lacy, mas ela deve ser uma fofura de pessoa. Tentei encontrar uma imagem que retratasse a Lacy, olhando pela janela e tomando o seu café, mas acabei encontrando poucas imagens bonitas. Mas este desenho é bem bonito, e até que combinou. :) 
Autora: Lua 


14 comentários:

  1. Estou atônita com este texto Lua. Você é incrível! E já sabia disso desde o dia em que comecei a te seguir. Eu devorei essa história, amei ela, cada detalhe.

    Parabéns querida escritora! Continue a escrever ❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤

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    1. Anwwwwwwwwwwwwwwwwwww, ❤❤❤❤❤
      Imagina amor, eu que agradeço de verdade!!
      Obrigada!, Anww, vai me fazer chorar ;)


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  2. Meu Deus Lua, chorei horrores com esse seu texto, principalmente com a carta de suicídio, como sempre você arrasa com as suas palavras, parabéns Lua, simplesmente lindo. Você tem um talento enorme.

    Obrigado por compartilhar essa história com a gente.
    Um abraço <3

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    1. Anwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww, ❤❤❤❤❤❤
      Omg Sally muito obrigada. A carta foi que meio que de improviso, até a primeira parte eu já tinha a ideia. E a última também, mas não ia ter. Então pensei que e uma carta ia combinar, já que ela estava engasgada com muitas coisas sobre a mãe.

      Obrigada você por ter lido.

      Outro abraço bem apertado ❤

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  3. Eu adoro seu blog estrelinha do meu céu e Lua que me ilumina
    Eu li tudo e algo me fixava para querer ler mais e mais ,eu vi um filme diante de mim ,interessante como os personagens se interagem em uma realidade que eu não previa um fim feliz ,mas vc desenvolveu o texto de uma forma tão concreta que o final surpreendeu minhas expectativas e li algo prazeroso e me deu uma lição de vida,parabéns amor !

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    1. Awwwwwwwwwwwwwwwn, ❤. ❤
      Ah meu pai do céu, que coisinhas cute e cute. Você não sabe como meu coração ficou feliz em ler esse comentário. eu to tipo babando arco- íris (≧◡≦)

      Obrigada, seja bem vinda e volte mais vezes!!!!

      Abraços da Lua (≧◡≦)

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  4. Olá Lua, eu sei que já pediste desculpa pelos erros, eu as vezes também os faço, é totalmente normal, mas está aqui uns reparos.

    1º "Estou com aquele velho casaco lã" - não sei se é assim no Brasil, mas creio que falta um "de" antes da palavra "lã".
    2º "Ele se sentia orgulho, mesmo querendo que ela voltasse." - Ele se sentia orgulhoso.
    3º "e eles me me enxeram com comida" - me encheram
    4º "uns 58 na minahs contas" - minhas
    5º "O suicídio dele foi porque ele não aguentou a dor de perde você." - perder
    6º "Mas mesmo em um peso lindo, não consigo ser abandona novamente." - abandonada

    Apesar da tragicidade da história, gostei bastante. Imaginei toda a cena na minha cabeça, achei a maneira de como o pai dela se suicidou um pouco cliché e achei o chalé nas montanhas demasiado cinografico.

    Desculpa lá estar a ser chatinha, espero que vejas isto como criticas positivas. Continua a escrever.
    Beijinhos :)

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    1. Huhu...
      Agradeço por me avisar dos pequenos erros, eu acabei escrevendo esse texto no domingo. Mesmo olhando e relendo várias e várias vezes, sempre tem algo que esquecemos. :D

      Não acho que foi chatinha não flor.

      Abraços da Lua ^^

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  5. Muito bom texto! Eu já ia perguntar quem era a garota achando que você pegou de algum blog abandonado , a historia é bem escrita e eu acreditei que era real, muito bom! Dava para fazer um livro!
    Sobre os erros: Normal, acontece, o que importa é o conteúdo e você passou, é um historia muito bonita

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    1. Ohhh Ceci muito obrigada de verdade. Como eu já tinha dito em alguns comentários acima, que foi no domingo passado. Mas isso meio que me inspirou por causa de muitas outras que passam por coisas parecidas.

      Hehehe, (≧◡≦)

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  6. Lua, mas que texto incrível! Adoraria ter o auto-controle de Lacey! Eu não sei se foi por que fiquei imaginado o texto em um filme, mas nem se quer percebi os erros... Sério! Parabéns, agora vou ler a sua outra publicação, que faz continuidade com está!

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    1. Obrigada Anjo.
      Os erros acontecem, eu já disse que tomo uma quantidade excessiva de remédios para dormir. E quando acordo, eu ainda estou com uma grande quantidade dele no meu organismo, e a noite é a mesma coisa.
      Mas obrigada de coração... ↖(^o^)↗

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  7. Ah, já estáva me esquecendo de dizer, que achei Lacey forte pare lidar com os três aspectos: Ter auto-controle até chegar aos quase 39 kg, conseguir lidar com sua mãe sair de casa e também com a morte de seu pai... Realmente, força, admirável.

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    1. Bastante, eu engraçado porque na minha mente. Grande partes das coisasa são fragéis, mas ela não me veio na mente, como uma moça frágil. Mas sim uma moça guerreira!! Isso é uma ótima inspiração.

      Muito obrigada pelos comentários ↖(^o^)↗

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Gentiliza gera gentileza, por favor respeite meu diário. Deixei seu nome e o do seu blog, que lhe faço uma visita assim que puder.
Obrigada <3