22 de abril de 2017

Insomnia




Ela voltou, estava demorando mas ela voltou. E pelo visto veio para ficar contas, números, estômago roncando, doendo, só mais um pouco aguente firme minha querida. É difícil você admitir os erros, mas eu errei, errei feio quando abri as portas da minha alma para minha querida/inimiga. Eu já carrego as marcas da guerra do transtorno de borderline. Agora carrego as marcas da Ana, ela machuca a gente. Ela faz você ficar insônia, só para sentir a dor da fome. Ontem fiz nf, fazia tempo desde a última vez. Fiz um nf tão perfeito, sem erros, sem dor... Eu sabia que isso já era o prenuncio de uma armadilha. O Ontem machucou, machucou demais. Não se engane fiz um dia perfeito também, comi 293 kcals certinhas. Mas a dor tomou conta de mim, um gosto de sangue ficou na minha boca. Eu sinto ela me arranhar por dentro. As minhas camadas são tão grossas que ela me machuca para eu ser perfeita como ela. E isso é triste. Muito triste, vai começar as mentiras, as noites perdidas de sono. Os exercícios feitos de madrugada, até a barriga doer. Os ossos vão aparecer, a massa corporal vai sumir. Talvez eu vá definhar. Que seja. O preço da vida não é barato, e quem quer correr o risco de tal situação, sabe aonde vai chegar se deixar ela te levar para o abismo dela. No jogo da vida eu sou aquela frágil criatura na qual, o bicho papão quer pegar. E ele não quer conversa comigo, ele não quer discutir ou brigar. Ele quer me matar, devagar, para sentir o sabor da vitória. Todas as recaídas que temos, sabemos que uma hora a gente vai levantar. E quando levantar, vai ser difícil tomar outra porrada. E assim por diante, até ela tomar conta de cada célula do teu corpo. E bem queridos amigos, é uma questão de tempo para você mudar. Eu vou continuar meu caminho, hoje tenho 300 kcals apenas, o dia vai ser longo, a insônia vai me pegar novamente, vai me massacrar novamente. Eu vou sentir dor, fraqueza, enjoo, mas no final do dia... Quando eu pegar aquele caderno vermelho que eu vou anotar as poucas calorias que eu ingeri, eu sei que terá valido a pena.

10 comentários:

  1. O que vc faria se, num passe de mágica, pudesse ter para sempre o peso que deseja independentemente do que ingere?
    GK

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    1. Cara, eu ia ser tão feliz ( eu sei que isso parece fútil) mas ia ser mágico sabe. Ia ser adoravel...Eu ia pelo menos me amar.

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    2. Agora invertamos a pergunta... O que vc faria se fosse feliz e se amasse independentemente do seu peso?
      GK

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    3. Teria paz. Porque essas coisas não afetariam meu modo de viver...

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    4. Vou fazer mais uma... Se vc se cansar da "brincadeira", não precisa responder... Vc se preocuparia com o seu peso se, além de vc, não houvesse mais ninguém no mundo?
      GK

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    5. E se o padrão de beleza fosse um em que, quando mais gorda, mais desejada a mulher? Mesmo assim vc preferiria ser magra?

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  2. Ei, Lua! Olá!
    Sabe, às vezes penso que a recusa em comer é apenas uma forma lenta de suicídio ou algo assim. Falo por mim.
    Aquela coisa de pensar: "Não preciso comer, gosto da tontura, gosto dos ossos, gosto da fraqueza, quero emagrecer, quero... definhar." Essa última palavra, definhar, ela não diz tudo? Eu nunca acreditei que transtornos alimentares fossem só sobre peso ou sobre contar calorias, tem muito mais abaixo da superfície.
    Passei por aqui apenas para dizer um "olá", e dizer que te desejo força. Você é guerreira, só não desista. Dos remédios, da terapia, de tentar sair do meio da tempestade.
    Nossas mentes são traiçoeiras, mas eu posso garantir que sempre tem jeito. Sempre. Enquanto estamos vivos, há esperança.

    Com carinho,
    Ana A.

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    1. Ana, que saudades <3
      Comentário que faz todo o sentido!!!

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Gentiliza gera gentileza, por favor respeite meu diário. Deixei seu nome e o do seu blog, que lhe faço uma visita assim que puder.
Obrigada <3